domingo, 12 de julho de 2009

O Lugar Distinto da Mãe


Ahmad A. Abba

Na verdade, a mãe ocupa um lugar exclusivo e distinto no íntimo de cada um. Allah diz no Al-Qurán: "E recomendamos ao homem, benevolência para com seus pais. Sua mãe carrega-o penosamente durante a sua gestação e, posteriormente, sofre as dores do seu parto." (Al-Qur'án 46:15)

Consta que certa vez, Muawiyah Qushairy (RTA) perguntou ao profeta Muhammad (SAW):

"A quem devo servir e cuidar (isto é, quem merece maior atenção)?

O Profeta (SAW) respondeu: A tua mãe.

De seguida perguntou: Quem vem a seguir?

O Profeta (SAW) respondeu: A tua mãe.

Ele (insistiu) mais uma vez: Quem vem a seguir? O Profeta (SAW) disse: A tua mãe.

Ele perguntou pela quarta vez: Quem vem a seguir? Ao que respondeu: Depois da tua mãe é o direito do teu pai e a seguir os parentes consoantes o grau (de parentesco). (Tirmizi, Abu Dawud)

De fato, não há gesto ou ação que possa compensar ou pagar o que uma mãe faz para o seu filho. Certa vez, um homem que tinha a sua mãe já em idade avançada, quis levá-la para fazer o Haj. Carregou-a nas suas costas durante o Tawáf e prestou a melhor atenção possível, pensando que dessa forma, poderia pagar o que a mãe fizera por ele durante a sua vida.

Então, foi-lhe dito que tudo aquilo que fizera, nem sequer cobria o pontapear do filho no útero da mãe, durante a gestação. O carinho, a atenção, a preocupação e a dedicação duma mãe não têm preço e não há moeda que possa pagar isso; é algo incomparável e insubstituível.

No entanto, a mãe não espera que o filho pague o que ela fez por ele; no mínimo, o filho deve reconhecer esses favores únicos, estando sempre disponível para ela, pois segundo um Hadiss, sobre os pés dela encontra-se o Paraíso.

Ibn Abbáss (RTA) narra que o Profeta (SAW) disse: "O filho que se levanta de manhã obediente para com os seus pais a fim de satisfazer a Allah, então Allah abre-lhe duas portas do Jannah; se ele tiver (apenas) um (pai ou mãe), uma única porta lhe é aberta". (Baihaqui)

Abu Huraira (RTA) narra que Rassulullah (SAW) disse: "Ele que seja humilhado, ele que seja desgraçado, ele que seja rebaixado".

Os Sahábah (RTA) perguntaram: "Quem?"

O Profeta (SAW) respondeu: "Infeliz é aquele cujos pais, ambos ou um deles, atingiram a velhice durante a sua vida (isto é, enquanto o filho esteve vivo) e não adquiriu o Paraíso (ao tratar-lhes com bondade). (Muslim)

Na velhice, os pais não requerem muito de si. Eles necessitam apenas de um gesto, um olhar alegre, um sorriso, atenção, carinho e palavras doces; tudo isso poderão ser meios de se adquirir o Paraíso. Por esses atos, tanto eles assim como Allah estará satisfeito consigo.

A conhecida passagem de Alqamah também nos ensina isso.

Alqamah era um piedoso e passava o seu tempo no Salát e a jejuar. Na altura da morte, não conseguia pronunciar o Kalimah Shaháda, apesar da insistência dos que ali se encontravam presentes. Ao ver aquela situação, a sua esposa enviou alguém a fim de informar ao profeta Muhammad (SAW) acerca da situação.

O Profeta (SAW) perguntou se os pais dele estavam vivos, ao que informaram que apenas a mãe estava viva. Depois, o Profeta (SAW) perguntou à mãe de Alqamah sobre o seu filho, ao que respondeu: "Alqamah é uma pessoa piedosa, passa o seu tempo no Salát e Jejum e pratica o Tahajjud, mas ele sempre me desrespeita por causa da sua esposa; por isso, estou descontente com ele".

O Profeta (SAW) disse: "Seria melhor para ele se tu o perdoasses". Contudo, ela recusou-se.

De seguida, o Profeta (SAW) ordenou a Bilal (RTA) que juntasse lenha e queimasse Alqamah no fogo. Ouvindo isso, a mãe de Alqamah disse em consternação: "O meu filho vai ser queimado no fogo?"

O Profeta (SAW) respondeu: "Sim! Comparando com a punição de Allah, a nossa punição é inferior. Eu juro por Allah que enquanto tu estiveres descontente com ele, nem o Salát, nem o Sadaqah dele são aceites". Ela disse: "Eu faço de todos vós aqui testemunhas, de que perdoei a Alqamah".

Rassulullah (SAW) dirigiu-se aos presentes e disse: "Vão ver se o Kalimah está ou não na boca de Alqamah (isto é, se ele está ou não a recitá-lo)".

Quando regressaram, as pessoas informaram de que ele estava recitando o Kalimah e, desta forma, deixou este Mundo.

Depois de lhe enterrarem, o Profeta (SAW) disse: "A fúria de Allah está sobre aquele que cria dificuldades para a sua mãe; que a fúria dos anjos e das pessoas estejam sobre ele. Allah não aceita os seus Ibádat Fardh (obrigatórios) nem Nafel (facultativos) sem que ele se arrependa e obedeça à sua mãe.

Ele deve adquirir o contentamento da mãe quanto melhor puder. O contentamento de Allah depende do contentamento da mãe e a Sua ira depende da ira dela. (Ahmad e Tabarani)

Consta ainda que quem deseja o aumento do Rizq (sustento) e longevidade, deverá ser bondoso para com os seus pais.

Diz a Bíblia:

"Respeite o seu pai e a sua mãe, como eu, o seu Deus, estou ordenando, para que você viva muito tempo, e tudo corra bem para você, na terra que estou lhe dando." (Deuteronônimo 5:16)

Muhammad Ibn Sirin conta que durante o tempo de Ussman Bin Affán (RTA), o preço de uma tamareira rondava nos mil Dirhames.

Durante aquele período, Ussáma cortou uma das suas tamareiras, extraíu a medula e deu à sua mãe. As pessoas interrogaram-lhe: "O que te fez agir assim, quando o preço duma tamareira atingiu os mil Dirhames?"

Ele respondeu: "A minha mãe pediu-me isso e ela nunca antes pedira algo que eu fosse capaz de satisfazê-la, exceto isso".

Alguns ditados relacionados com a mãe:

"O amor da mãe é tão exclusivo que não pode ser explicado nem ensinado a alguém" - Lukmán (AS).

"As lágrimas nos olhos da mãe podem derreter e amolecer um coração sem bondade" - Allama Muhammad Iqbal.

"Se eu estiver privado do amor da mãe, perderei o meu equilíbrio mental" - Firdoussi.

"Sem amor de mãe, a casa é como uma sepultura" - Aurangzeb Alamguir.

Portanto, quem tiver os pais vivos, que faça quanto puder por eles e nunca se arrependerá. E quem já não os tiver, que no mínimo faça Duá para eles.

Termino recordando as últimas palavras da minha querida mãe - Maimuna Ahmad Daya - já no leito da sua morte, quando me disse: "Agora é tua vez de fazeres Duá para mim".

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